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O novo comercial americano de TV do Fiat 500 tem imagens maravilhosas. Vários carrinhos são vistos passeando por vilas e paisagens deslumbrantes, supostamente no sul da Itália. De repente, eles mergulham no mar! Vão emergir milhares de quilômetros depois, na costa leste dos Estados Unidos — mais precisamente em Nova York, onde a presença de descendentes de italianos é tão marcante que existe até um bairro chamado Little Italy. Enquanto os simpáticos Cinquecentos dão voltinhas pela Big Apple, um locutor avisa: “A nova onda de italianos chegou, e ela veio para se divertir”.

Muita calma nessa hora!

Um anúncio de TV que toca no tema “imigração”, com os imigrantes em questão sendo oriundos da Itália, nos parece perigosamente ambivalente nos dias de hoje, até mais devido ao presente que ao passado (mas também a este).

Assim como no Brasil, o grosso do contingente de italianos que foi para os EUA o fez no final do século 19 e começo do 20. Naquela época ninguém deixou a Itália e, falando mais geralmente, a Europa a passeio ou por capricho. Não havia trabalho suficiente; havia pobreza e sofrimento de sobra.

Apesar da gradual assimilação dos imigrantes ao longo do século passado, os EUA não tiveram dúvidas em “internar” milhares de seus cidadãos com ascedência italiana em “campos” durante a Segunda Guerra (algo que foi feito também com descendentes de japoneses).

Hoje a Itália, apesar de sua indiscutível força industrial, é um dos países europeus que estão balançando na ponta da prancha da crise. Por exemplo, acaba de sair notícia de que a venda de carros por lá recuou 24,4% em junho — e isso não está em linha com o desempenho das economias mais estáveis da Europa (os mercados de Alemanha e Reino Unido cresceram). Depois de anos do fanfarrão Sílvio Berlusconi no poder, o discreto premiê Mário Monti tem muuuuito a fazer.

Claro, vender carro nos EUA é uma necessidade para a Fiat, empresa que é um dos motores industriais da Itália. Mas dizer que essa “nova geração de italianos” está chegando à costa leste americana “para festejar” (literalmente, “to party”), soa como wishful thinking (ou insensibilidade mesmo) em relação à situação econômica atual — e ainda dá a entender que a “onda anterior” aportou lá para incomodar…

Fonte: Claudio Luis de Souza – Blog da Redação.

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